domingo, 25 de janeiro de 2009

"A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos,

Que, para receber-me, estais abertos

E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados,

De tanto sangue e lágrimas cobertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos

E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, p’rá chamar-me,


A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme."


Gregório de Matos Guerra

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